quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Foi a rebimboca da parafuseta, ou "o que dizer quando dá M...A"


#engenhariaDeSoftware #gestão #problemas
A cena é comum: Tudo parado, sala de guerra, e a diretoria querendo uma explicação. O que você faz? O que diz a eles? Já vi muita gente boa entrar pela tubulação nesse momento.




Agora f...u geral

Donald Rumsfeld, ex secretário de defesa dos Estados Unidos, disse em 2002:

there are known knowns; there are things we know we know. We also know there are known unknowns; that is to say we know there are some things we do not know. But there are also unknown unknowns—the ones we don't know we don't know. 
Esta frase virou a base teórica da gestão de riscos moderna. Temos que:

  1. Nos precaver para os "known knowns", ou seja, os problemas conhecidos;
  2. Planejar para os "known unkowns", nos planejarmos para os riscos conhecidos;
  3. Termos estratégias para lidar com os "unkown unknowns", ou, os riscos desconhecidos.
Toda decisão de implementação de software ou hardware em TI, deve seguir um processo de escolha, e deve ser precedida de um cuidadoso planejamento de riscos, que pode incluir as estratégias: 
  • Mitigar: Criar redundâncias, ou atitudes que evitem o problema ou amenizem seus efeitos;
  • Transferir: Transferir a responsabilidade para terceiros, fazendo um seguro, por exemplo;
  • Aceitar: Se acontecer, aconteceu.
Antes de decidir a estratégia, temos que avaliar o impacto, que é a probabilidade versus o valor dos danos ou prejuízos. 

Mas não  devemos apenas "planejar" os riscos! Precisamos monitorá-los frequentemente e reavaliar as probabilidades. Monitorar tempo de resposta, consumo de memória, de CPU e throughput do sistema, pode nos dar "insights" sobre problemas latentes.

Porém, independentemente do planejamento de riscos, há os "unknown unknowns", e eles podem acontecer. Todo sistema de informática, seja hardware, software, aplicativo ou básico, tem as seguintes características: 
  • Um dia falhará;
  • Costuma dar sinais antes da falha.
Portanto, quando der problema, a sua atitude é muito importante. 

Sabe o "julgamento final", quando você tiver que explicar suas ações perante o Senhor? É parecido com isso! Dizem que, no dia do juízo final, todas as nossas conversas no WhatsApp serão exibidas em um telão. Bom, será mais ou menos assim: Você e suas ações sofrerão um escrutínio. 

Muitos profissionais optam pelo estilo "rebimboca da parafuseta", externalizando a culpa, em uma tentativa inútil de "jogar areia" na cara dos gestores e clientes. Mas esta atitude pode condená-los, se os gestores forem dignos do cargo e se os clientes forem um pouco mais inteligentes.

Recentemente, tive a oportunidade de presenciar uma obra prima rebimboquesta, quando deu um problema sério. A desculpa do responsável foi algo assim: 

"Ah, o componente XPTO, do ABCD, simplesmente não ficava no ar, então, houve bla-bla-bla e não foi possível reiniciar o sistema por conta de YWZT, então, nós fizemos isso e aquilo, mas estamos conseguindo... blá-blá-blá"
O que você deduz de útil sobre essa explicação? Eu deduzo que: 
  1. O responsável não sabia que isso podia acontecer;
  2. O responsável não se precaveu para este tipo de problema;
  3. O responsável pode não ter capacidade ou habilidade para lidar com tamanha responsabilidade.
Por que? Porque nada parece ser responsabilidade dele.

O que os gestores e clientes querem saber

Se forem dignos do cargo, os gestores e clientes estão preocupados com o tempo de recuperação a probabilidade de acontecer no futuro e a sua capacidade em lidar com isso.

Explicações do tipo "rebimboca da parafuseta" jogam a culpa em fatores exógenos ou agentes externos, o que demonstra exatamente o que eu disse: O responsável não sabia disso e não tem habilidade nem capacidade para evitar isso.

Muitos profissionais ainda tentam jogar a culpa nos próprios gestores com aqueles chavões: "eu disse que poderia acontecer, mas vocês me negaram recursos". Dude, você está assinando sua carta de demissão com essa frase!

Mais uma vez, se os gestores forem dignos do cargo!

Se há um risco latente, você o deveria estar monitorando e munindo a alta administração com números agregados que demonstrassem isso! Se há falta de recursos, idem! Demonstre isso numericamente. E, se a falta de recursos colocar a empresa em risco, você deveria renunciar ao projeto. 

Mas, muitos de nós querem apenas a comissão extra, certo?

Pense nisso: Você contratou um empreiteiro para fazer obra em sua casa. Do nada, tudo parou, pois ele encontrou um problema grave e precisa lidar com ele. Quais seriam seus questionamentos?
  • Pô, mas você não podia ter visto que havia esse problema?
  • Você sabe o que fazer para evitar novos problemas como esse?
  • Por que não se preveniu para problemas desse tipo?
Se algo muito sério aconteceu e parou a empresa, provavelmente você, líder ou responsável técnico, deixou de fazer seu "dever de casa". É simples assim.

Se você tivesse planejado os riscos, criado medidas preventivas e monitorado constantemente, certamente teria contornado o problema. E ainda poderia jogar na cara dos gestores: Eu avisei numericamente e diariamente! Mas, me precavi e tenho essa carta na manga! Pá!

Assim, você seria promovido a Diretor!


Cleuton Sampaio, M.Sc.


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